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Por que Tonico não voltou a Santa Rita?

Meteu a mão no bolso e tirou o papel, meio amarrotado já, de tanto ser trocado de lugar, dobrado nesta e noutra forma, o pé direito descansando sobre a velha mala de fibra. Não havia dúvida. A rua era aquela mesma, Rua Vespasiano, bairro da Lapa, São Paulo. Mas, e o número? No lugar em que devia logicamente haver uma casa e necessariamente uma numeração, só um terreno cercado de tabiques de madeira. - A senhora sabe me dizer se naquele lugar onde vão construir um prédio, aqui ao lado, morava um senhor de nome Nicolau? - Olha, moço, aí morava a família do Seu Laláu. Eu nunca soube o nome dele, mas talvez fosse esse. Casado com D. Dininha. O nome dela eu sei, era Leopoldina, mas todo mundo conhecia ela por Dininha. - São eles mesmos. São meus tios. Eu sou de Minas, sabe, cheguei hoje do interior. Vim passar uns dias com eles, até mandei um telegrama. Cheguei aqui e não existe a casa deles. - É, eles se mudaram faz dois ou três meses. Disseram que depois iam me mandar o endereço, ...

Feriado municipal

  - Dona Vita, vim entregar este pernil, a pedido do  seu  Gonçalves. Ele mandou dizer que é para a senhora temperar bem. É para fazer um almoço mais completo, amanhã. - Amanhã? Mas amanhã é quinta feira. O feriado é na sexta. Olha o calendário: 1985. Hoje é 13 de novembro. Não pode ser... - Eu não entendi bem, mas ele falou que morreu não sei quem, e que amanhã vai ser feriado municipal. D. Vita não se preocupou muito com a explicação. O pernil estava pago, isso é o que importava. Teriam um almoço bem melhor no dia seguinte. Seu  Gonçalves tinha ouvido a história na Prefeitura onde trabalhava. Todos os funcionários comentavam a notícia. Era triste para muita gente, mas acabava sendo boa para todos. O presidente da Câmara Municipal, o Dr. Ventura, tinha morrido. Era uma pessoa austera, mas caridosa, apreciada por muitos. Agora passaria a ser apreciada por toda a cidade, pois, morrendo no exercício do cargo, dava feriado. Mesmo que nem todos fossem a seu enter...